sexta-feira, 5 de junho de 2009

Domingo da Santíssima Trindade (Mt 28,16-20)

LECTIO DIVINA
Domingo, 7 de Junho de 2009
Autor: Pe. Gabriel Mestre
Tradução: Pe. Carlos Henrique

1 - LEITURA

O que diz o texto?

Neste Domingo, a Liturgia da Igreja contempla o mistério da Santíssima Trindade para louvar a grandeza e a onipotência de Deus.
A maioria das confissões cristãs aceitam em sua fé este grande mistério que tem consequências muito importantes para a espiritualidade e a vida dos fiéis: Deus é Uno, e, ao mesmo tempo, Trino. Um só Deus em três Pessoas Divinas é o núcleo da afirmação da Santíssima Trindade.
Esta Lectio Divina será feita, obviamente, a partir do texto bíblico, a partir da Palavra de Deus, porém iluminada pela celebração litúrgica da Santíssima Trindade.
O texto bíblico que nos é proposto é tomado do final do Evangelho segundo São Mateus. Fala da última aparição do Ressuscitado e do mandato missionário aos Apóstolos. Mateus e Marcos narram as aparições de Jesus Ressuscitado na Galileia, enquanto que João e Lucas as situam em Jerusalém e arredores.
O lugar do encontro é uma colina, uma montanha. Este é o lugar do encontro com Deus. Jesus convida os Apóstolos para participarem de sua glória como Senhor pleno de poder. Eles o adoram (literalmente “prostram-se”) diante de Jesus; porém, ainda persistem as dúvidas. Se bem que a manifestação seja clara, e seja um relato de “teofania” (revelação e manifestação de Deus e de seu poder), nos diz o relato que “eles ainda duvidavam”. Sempre a manifestação de Deus, da grandeza de seu mistério provoca dúvidas, idas e voltas, clareza-obscuridade no coração dos discípulos.
Os Onze (Judas já não está com eles e ainda não tinha sido “substituído”) têm uma experiência muito forte de encontro com a divindade; porém esta experiência provoca neles essa tensão espiritual profunda que se move entre a dúvida e a certeza.
Jesus continua sendo o mesmo, como vimos nos relatos pascais que fomos partilhando durante os domingos posteriores à celebração da Páscoa. No entanto, hoje se apresenta a nós com uma palavra cheia de poder. Continua sendo o amigo e o companheiro de sempre, mas com clareza manifesta o poder da Ressurreição.
No versículo 19, Jesus dá o mandato de fazer discípulos Dele em todos os lugares da terra. É incrível a abertura, a universalidade que Jesus assinala com isto. Os discípulos devem ser de todos os lugares, ninguém fica excluído, nenhum povo e nenhuma raça devem ficar de fora. O autêntico discípulo deve fazer outros discípulos de Cristo.
Ao fazer estes discípulos, deverão batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Este será definitivamente o sinal da comunidade de salvação inaugurada por Jesus: serão batizados em nome da Santíssima Trindade. Esta tradição, a Igreja a manteve ao longo dos séculos. O mandato de Jesus de batizar em nome da Trindade reflete o núcleo deste Evangelho que a Igreja põe na liturgia deste dia.
Ao discipulado e ao batismo, acrescenta-se um novo mandamento: ensinar a obedecer tudo o que Jesus ensinou. Trata-se de dar a conhecer aos novos discípulos a autêntica doutrina da salvação.
Por último, na segunda parte do versículo 20, nas últimas palavras do Evangelho de Mateus, Jesus diz uma das palavras mais esperançosas e consoladoras de todo o Novo Testamento: “eis que eu estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo”.
Tenha em conta que: o Livro dos Atos fala do batismo em nome de Jesus (cfr. At 1,5; 2,38). Esta fórmula sensivelmente diferente não se contrapõe à fórmula trinitária que vimos em Mt. O Batismo sempre, numa ou noutra fórmula, vincula com Jesus Salvador que procede do amor do Pai e que culmina com a efusão do Espírito.
Outros textos bíblicos para confrontar: Dn 7,14; Mc 16,15-16; Lc 24,47; At 1,8.
Perguntas para a leitura:
Por que se faz referência aos onze e não aos doze discípulos?
Onde estavam os onze e onde logo foram?
Onde especificamente devem se encontrar com Jesus?
O que fazem os discípulos imediatamente quando se encontram com Jesus?
Por que eles ainda têm dúvidas?
O que faz Jesus?
Quais são os “três” mandatos que Jesus lhes deixa?
Como termina o relato? Qual é a última frase?

2 - MEDITAÇÃO

O que me diz o texto? O que nos diz o texto?
Perguntas para a meditação
Qual é hoje para mim o “monte”, a montanha onde me encontro com Jesus?
Quais são os “lugares” que o Senhor me indica para que eu me encontre com Ele?
Tenho atitude de adoração perante o Senhor? Prostro-me aos seus pés como sinal de humildade e submissão a Deus?
Duvido da presença de Jesus em minha vida?
Tenho dificuldade em reconhecer a presença de Jesus no caminho da minha vida?
Escuto o que Jesus quer me dizer?
Aceito a Jesus como Deus e Senhor pleno de poder para governar todo o universo?
Obedeço às palavras de Jesus?
Busco fazer discípulos de Jesus “por toda a terra”? Tenho uma atitude missionária adequada para com aqueles que não conhecem o Senhor ou que conhecendo-o, se afastaram?
Convido-os a serem batizados em nome da Santíssima Trindade?
Aceito que Deus é Um, mas também Três Pessoas Divinas?
Aceito o mistério da unidade e diversidade que se dá no mesmo Deus? Aceito a unidade e a diversidade na vida em geral: em minha família, na Igreja…?
Ensino aos outros irmãos a doutrina da salvação? Sou “catequista” dos irmãos que Deus põe no horizonte de minha vida?
O que penso da última frase do Evangelho de Mateus? Me dá esperança e serenidade? Me sinto cuidado e consolado?

3 - ORAÇÃO

O que digo a Deus? O que dizemos?


Uma boa oportunidade para fazer a oração com o mistério da Santíssima Trindade e o Evangelho deste Domingo pode ser recordar ou conhecer a história de Santo Agostinho e o menino da praia. Ela ilumina a atitude que deve ter o fiel cristão com relação à Trindade.
A história de Santo Agostinho com o menino é conhecida por muitos. A mesma surge do muito tempo que dedicou este grande santo e teólogo a refletir sobre o mistério da Santíssima Trindade, de como três pessoas diferentes podiam constituir um único Deus.
Conta a história que certo dia, Santo Agostinho, após longo período de trabalho e muito compenetrado na sua angústia, adormeceu no claustro. Teve um sonho revelador: caminhava sobre uma praia deserta, pensando no mistério da Trindade. De repente, avistou um menino que com um balde de madeira ia até a água do mar, enchia o balde e voltava, onde despejava a água num pequenino buraco na areia. Santo Agostinho, perplexo e curioso perguntou ao menino: – O que você está fazendo? O menino calmamente olhou para Santo Agostinho e respondeu: – Vou colocar toda a água do mar nesse buraco! Santo Agostinho sorriu e retrucou: – Isso é impossível garoto. Observe quanta água existe no oceano e você quer colocá-la toda nesse diminuto buraco! Mais uma vez o menino olhou para Santo Agostinho e de forma ríspida e corajosa disse: – Em verdade vos digo que é mais fácil colocar toda a água do oceano nesse pequeno buraco do que a inteligência humana compreender o mistério da Santíssima Trindade. E num instante, Santo Agostinho acordou assustado e desorientado. Tivera uma mensagem divina que acalmaria sua alma conturbada.

Texto de www.ewtn.com

4 - CONTEMPLAÇÃO

Como interiorizo a mensagem?
Para nos apropriar-nos do conteúdo desta Palavra proponho levar em conta dois elementos deste texto:
Por um lado, a profissão trinitária: repetir pausadamente o que o texto diz: … em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo… dizê-lo pensando nossa relação particular com cada uma das pessoas divinas.
Por outro lado, pode ajudar repetir o final do texto, a frase tão confiada e segura de Jesus para conosco: eu estarei sempre com vocês até o fim do mundo…

5 - AÇÃO

Com que me comprometo?
Proposta pessoal
.Crescer na humildade buscando sempre prostrar-se e adorar a Deus e só a Ele.
Proposta comunitária
.Conversar em teu grupo de amigos sobre os três verbos e seus complementos que são parte do mandamento de Jesus:
· Fazer discípulos…
· Batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo….
· Ensinar a obedecer tudo o que Jesus ensinou.
Como podemos fazer isto hoje, especialmente com os jovens discípulos do começo do século XXI?

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